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Artrose

A artrose (do grego artros, articulação, e do latim ose, desgaste), também chamada de osteoartrose, não é uma doença. Trata-se de um fenômeno absolutamente natural – o desgaste da cartilagem que reveste nossas articulações ou juntas – que faz parte do envelhecimento global do organismo humano, como as rugas ou as chamadas manchas senis em nossas mãos.

Em geral, a artrose é confundida com artrite, que aí, sim, denota uma doença. A artrite (do grego artros, articulação, e do latim ite, inflamação) implica na presença de uma das três características definidas por Galeno (século 3 d.C): dor, calor e rubor.

Causas

Há mais de cem causas de artrite ou inflamação articular. A mais comum e temida é a artrite reumatoide, doença de origem autoimune que provoca grave acometimento das articulações, com grande destruição das mesmas. Mas existe também a artrite psoriática, associada a formas graves de psoríase cutânea, a artrite gotosa ou gota, causada pelo depósito de cristais de ácido úrico, a artrite reativa, provocada por infecções, a artrite que acompanha doenças sistêmicas como o lúpus eritematoso, entre muitas outras.

Quando nos referimos à artrose ou osteoartrose, estamos falando de um reumatismo diferente, aquele que todos vamos ter. É o reumatismo causado pelo desgaste articular, também chamado de degenerativo. Este caráter de desgaste é muito mal compreendido e associado à doença de velhos.

Quando atingimos o auge do nosso desenvolvimento musculosquelético, já se inicia um silencioso processo de desgaste articular. Se submetermos alguma de nossas articulações a um estresse precoce, como acontece em esportes em nível competitivo ou traumas, este processo pode ser ainda mais precoce.

O desgaste da cartilagem articular acontece porque os condrócitos, células formadoras do tecido cartilaginoso, não se regeneram. Assim, uma vez destruídos, não há peças sobressalentes para reparar a cartilagem. Além disso, a cartilagem articular não é vascularizada. Ou seja, não recebe seus nutrientes por meio de vasos sanguíneos, mas se nutre apenas por embebição, como uma esponja, a partir do osso situado logo abaixo da cartilagem, o chamado osso subcondral.

A partir do nosso pico de desenvolvimento osteoarticular, começa um lento, insidioso e, inicialmente, assintomático processo de desgaste, desidratação e afilamento da cartilagem, a chamada artrose.

Apesar de ser um fenômeno universal, ele não é igual para todo mundo. Por fatores genéticos, há quem apresente artrose mais precocemente; algumas pessoas têm artrose nas mãos, outras nos joelhos em função de excesso de peso ou de joelhos em valgo – em xis – ou varo – pernas tortas, nos quadris ou na coluna como bicos de papagaio.

A artrose também pode se comportar mais agressivamente, com um componente inflamatório local, gerando a artrose erosiva, confundida, muitas vezes, com a artrite reumatoide. Felizmente, esta é uma minoria dos casos.

Em geral, a artrose apresenta uma grande exacerbação após a menopausa. Assim, é frequente que os sintomas se iniciem próximo desta fase. Os homens também têm artrose, mas o processo costuma ser mais lento, exceto naqueles onde a herança genética favorece um processo mais acentuado.

A artrose, muitas vezes, não causa dor, mas quando isto acontece, devemos tratá-la da melhor maneira possível.

Tratamento

Como ainda não descobrimos como regenerar o tecido cartilaginoso, devemos tratar os sintomas da artrose com analgésicos sempre e anti-inflamatórios somente nas crises. Há medicamentos capazes de retardar o processo e amenizar seus sintomas: a glucosamina associada ou não à condroitina, os chamados insaponificáveis do abacate, entre outros. O uso de medicamentos como a hidroxicloroquina pode ser útil nas artroses erosivas.

A medicação, no entanto, é apenas uma pequena parte do tratamento. Perder peso, fortalecer globalmente a musculatura, utilizar técnicas de fisioterapia, como a hidroterapia, associar acupuntura como aliada no combate a dor são algumas das medidas que podem melhorar muito os sintomas da artrose.

Maurício Portal Longaray
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